Investigadores realizaram nesta terça-feira (16) buscas por “materiais tóxicos” na casa do cônsul-geral saudita, Mohammad al-Otaibi, em Istambul, na Turquia, afirmou à imprensa local o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. As buscas fazem parte das investigações sobre o desaparecimento há duas semanas do jornalista saudita Jamal Khashoggi.
Erdogan afirmou ainda que “alguns materiais” no consulado, onde as buscas entraram pela noite e duraram mais de nove horas, foram “pintados por cima”.
Autoridades turcas acreditam que Khashoggi tenha sido morto durante visita que fez ao consulado saudita em Istambul. A última vez em que foi visto foi entrando no edifício, aonde foi para retirar documentos.
A Arábia Saudita nega, mas relatos da imprensa americana de segunda-feira (15) indicavam que o reino árabe poderia admitir o assassinato do repórter, colaborador do Washington Post, durante um “interrogatório que deu errado”.
“Minha esperança é que possamos chegar a uma conclusão que nos dê uma opinião razoável [sobre o que aconteceu ao jornalista] o quanto antes”, afirmou Erdogan.
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, se encontrou com o rei Salman, da Arábia Saudita, nesta terça, para discutir o desaparecimento do jornalista.
Jamal Khashoggi estava exilado nos Estados Unidos desde 2017.
Na segunda, o presidente Donald Trump especulou que Khashoggi possa ter sido morto por “matadores de aluguel”, depois de conversar por telefone com Salman.
Pompeo se encontrou ainda com o chanceler Adel al-Jubeir e jantará com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. Ele dever ir à Turquia em seguida.
A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu nesta terça a retirada da imunidade dos agentes sauditas que podem estar envolvidos no desaparecimento do jornalista.
“Levando em consideração a gravidade da situação do desaparecimento de Khashoggi, acredito que a inviolabilidade ou a imunidade dos locais e dos funcionários envolvidos acordada por tratados como a Convenção de Viena de 1963 sobre as relações consulares teria que ser retirada imediatamente”, afirmou Bachelet em um comunicado.
“No direito internacional, tanto o desaparecimento forçado como as execuções extrajudiciais são crimes muito graves e a imunidade não deveria ser utilizada para apresentar obstáculos às investigações sobre o que aconteceu”, completou.
A ONU não pode, no entanto, impor a retirada da imunidade. O país de recepção, neste caso a Turquia, pode solicitar às autoridades do país de origem que retirem a imunidade de um de seus agentes diplomáticos no caso de infrações graves.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

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